BLACK BLOC, conheça mais sobre a tática

 

A editora Veneta deve lançar no fim do mês de março o livro “Black Blocs” no Brasil, até onde se tem conhecimento é a primeira obra a retratar apenas o fenômeno e traçar um perfil histórico da tática, iniciando pela sua primeira aparição, em Berlim Ocidental nos anos 80, até a grande ação em Seattle, em 1999, contra a reunião da OMC, na qual o Black Bloc ficou mundialmente conhecido. Você pode ler excertos o livro no link a seguir (não se esqueça de ler numa janela invisível ou através de scripts, não dê ibope para Folha!)   http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2014/03/1422098-um-perfil-historico-dos-black-blocs.shtml

DOCUMENTÁRIO
A repressão é parte constitutiva da democracia, sistema de autoridade que necessita de legitimidade e consenso, mas também de controle e redefinição dos limites em que se pode ser um “cidadão livre”. Muitas vezes se torna necessário tornar o inimigo inofensivo para enfrentá-lo. O encontro do G8 em Gênova em 2001 demonstrou isso da maneira mais feroz.

Através dos depoimentos de Lena e Niels (Hamburgo), Chabi (Zaragoza), Mina (Paris), Dan (Londres), Michael (Nice) e Muli (Berlim) o filme pretende contar a história a partir do testemunho dos que viveram a violência do massacre policial na escola Diaz e a tortura posterior no Quartel de Bolazaneto.

Da narrativa coletiva dos protagonistas surge a historia de Muli. Muli revela os motivos pelos quais decidiu se envolver na política, sua participação nas manifestações em Gênova, a violência que sofreu, e a escolha de retornar a cidade para testemunhar no processo, enfrentando o trauma sofrido para transformá-lo em uma oportunidade para encontrar uma redenção moral. Através de sua experiência amadurece um novo caminho político, recupera sua vontade de confrontar e se reunir e, sobretudo, redescobre outra Gênova.

“Eu não escondo o meu rosto”

Segue um brilhante texto – só que ao contrário – sobre os “black blocs” (considere que a definição utilizada de “black bloc” é a mesma dos partidos autoproclamados esquerda e da revista veja). Assim como os ursinhos carinhosos, e futuros candidatos a vereadores, o autor do texto não esconde seu rosto e acredita nas manchetes da Folha. Boa leitura!

Retirado de: http://juntos.org.br/2013/10/eu-nao-escondo-o-meu-rosto/

“A Folha de S. Paulo traz em sua manchete, hoje, a notícia de que 95% dos paulistanos rejeitam os “black blocs”. Neste dado, duas questões chamam a atenção. Por um lado, é assustador o esforço da classe dominante em ter como alvo os black blocs. Toda sanha policial e repressão é justificada por sua existência. Com isso, esconde-se o fato do próprio fenômeno dos black blocs já refletir as deformações do sistema em que vivemos, em que boa parte da juventude é formada num contexto de profunda violência e repressão, sem qualquer perspectiva de futuro.

Ao mesmo tempo, fica claro o evidente: a tática dos black blocs é nefasta para o movimento de massas e tende a afastar o conjunto da população das manifestações.

Essa compreensão é fundamental. Sobretudo, diante de um dado que a Folha, hoje, busca mostrar de maneira tímida: 66% da população apoia as manifestações. A ampla maioria. Um número estrondoso se levarmos em conta a campanha homérica que tem feito a burguesia brasileira para tirar as pessoas da rua. Todos os dias, Jornal Hoje, Jornal Nacional, todos os telejornais e até a TV do metrô exibem fartamente cenas de violência, com o único intuito de afastar as pessoas.

Entretanto, reverter junho é uma tarefa muito dura. Que ninguém se esqueça de que, até recentemente, a maioria da população simplesmente desaprovava os protestos.

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Criminalização dos Black-Blocs: uma armadilha [RJ]

Retirado de: http://daslutas.wordpress.com/2013/07/13/criminalizacao-dos-black-blocs-uma-armadilha/

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Criminalização dos Black-Blocs: uma armadilha

por Mariana Corrêa dos Santos*

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“O que precisa ser discutido, e parece esquecido nessa busca por culpados e pela criminalização de novos grupos ativistas anti-sistema, é a violência escalonante da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Esse é o debate.”

Observamos nos últimos dois dias, e bem de perto, a criminalização do jovem ativismo anarquista, como outros movimentos também foram criminalizados num passado não muito distante. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, os movimentos do campo passaram por criminalizações similares, invenções midiáticas de invasão de terras “supostamente” produtivas, num claro revide contra a Reforma Agrária pleiteada. Com o auxílio da mídia convencional, esses movimentos foram taxados de vândalos, bárbaros, destruidores e um atraso para o desenvolvimento do país.

O que temos pra hoje são “caixas” e “mochilas” de molotovs confeccionados em garrafas de mesma marca, quase uma produção fabril, colocadas no chão por possíveis policiais infiltrados, ao lado dos Black Blocs que marchavam na Av. Rio Branco. Cenas que foram capturadas em câmera pelas mídias independentes. Esses mesmos infiltrados agem como se “descobrissem” os molotovs, e responsabilizam os grupos anarquistas. Ao reproduzir  novamente o discurso de que esses jovens são os responsáveis pelos conflitos, a mídia convencional só pode partir da presunção de que toda uma população ainda está imbecilizada. É esquecer que, ao custo de muita bomba e bala de borracha, as mídias independentes retiraram o véu de qualquer mentira e armação, e estão acessíveis a quase todos aqueles que buscam informações.

Quem está desde junho nas ruas sabe que os movimentos anarquistas, em especial os Black Blocs, servem de proteção aos manifestantes, pois colocam-se na linha de frente, com escudos e proteções, prontos para devolver bombas aos seus atiradores. Sem essa linha de frente, quem estava na Presidente Vargas no dia 20/06 não teria saído a tempo sem ser pisoteado, baleado, ou fortemente intoxicado.

O que precisa ser discutido, e parece esquecido nessa busca por culpados e pela criminalização de novos grupos ativistas anti-sistema, é a violência escalonante da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Esse é o debate. Não pode ser naturalizado uma criança de cerca de 8 anos desmaiada no meio da Cinelândia por intoxicação de gás lacrimogênio. Não pode ser considerado normal que a polícia faça duas linhas fechando a Av. Rio Branco, e uma linha lateral onde obrigatoriamente seria o escoamento, e jogar spray de pimenta em todos que passavam.

A polícia carioca age na surdina, com carros envelopados sem identificação, atirando em manifestantes que já haviam dispersado. Persegue manifestantes por ruas, bairros, longos percursos, atirando bombas em hospitais, em residências, em passantes, bares, praças, deliberadamente, e planejadamente. Não são despreparados, são uma máquina de repressão comandada pelo Estado.

Aos que tem acesso à informação, não permitam que se criminalize mais um grupo social simplesmente por existir e por questionar o poder vigente. É preciso encampar essa luta, é preciso desmilitarizar, desarmar essa máquina de matar. Pois, como bem diz uma das faixas das manifestações: “A mesma polícia que reprime no asfalto é a que mata nas favelas”. E o que vai acontecer quando esse grupo que é a linha de frente das manifestações for criminalizado? As balas vão deixar de ser de borracha no asfalto também?

“É preciso estar atento e forte…”

*Mariana é integrante Das Lutas