Carta de apresentação

O que é o Rizoma?

O Rizoma é uma tendência estudantil libertária. Batalhamos para construir um movimento estudantil forte e comprometido com a luta da classe trabalhadora, que encontre na ação e democracia direta as ferramentas de sua resistência. Somos uma tendência, pois defendemos as organizações de base, como centros acadêmicos, e não queremos substituí-las por nosso coletivo, mas fortalecê-las enquanto ferramenta de organização e mobilização. Nos organizamos de forma horizontal e construímos a prática libertária em todos os espaços de nossa atuação, pois acreditamos ser necessário e urgente o enfrentamento contra as políticas da classe dominante.

Por quê atuamos no Movimento Estudantil?

O Rizoma nasceu da greve de 2011 na USP – contra o convênio feito com a Polícia Militar – e atua desde então no movimento estudantil. Defendemos a organização pelos locais de estudo, trabalho e moradia, pois é, para nós, no local do nosso cotidiano que lutamos contra as opressões e a exploração da sociedade capitalista.

Somos estudantes e reivindicamos as memórias deste movimento que se fez presente em importantes ações ao longo de toda a história da luta de classes e por diversas vezes buscou a construção de um projeto libertário para a sociedade.

Acreditamos na força do movimento estudantil tanto para a defesa de suas próprias pautas quanto pela importante aliança com os/as trabalhadores/as de dentro e fora do espaço da universidade. É na solidariedade de classe que encontramos a unidade para consolidar a força do poder popular.

Por quê defendemos a organização?

Ao longo da greve de 2011 diversas pessoas, que militavam enquanto independentes, foram percebendo cada vez mais as limitações de se atuar isoladamente. A partir desta experiência ficava cada vez mais nítido que era preciso agir em coletivo para intervir de forma efetiva nas lutas.

Surgimos com o objetivo de constituir uma corrente libertária dentro do Movimento Estudantil com capacidade concreta de mobilização e enfrentamento. A nossa construção coletiva se contrapõe à ideologia individualista, pois acreditamos que o discurso político se torna mais coeso e as ações se tornam mais efetivas quando pensadas em conjunto.

Defendemos a organização horizontal e de base para construirmos as respostas aos desafios que estão colocados. É no debate e na formulação conjunta de propostas e estratégias para o movimento que conseguiremos lutar contra as medidas da Reitoria e alavancar processos de mudança profunda na sociedade.

Quais métodos de luta defendemos?

Devido ao caráter de classe (dominante) da Universidade, buscamos impulsionar um Movimento que, ao mesmo tempo lute por melhorias imediatas nas condições de vida da classe trabalhadora e ataque o caráter burguês e conservador dessa instituição. As pautas de reivindicações, mas também os métodos, mostram para qual projeto estamos apontando.

Defendemos as assembleias e os fóruns de democracia direta, sempre ligados e respondendo à base do movimento para ir em sentido oposto aos fóruns burocráticos e à política representativa. Fazemos nós, por nossas próprias mãos, as ferramentas de decisão do movimento.

Defendemos as ações diretas radicalizadas, como piquetes e ocupações, que servem para enfrentar a reitoria e desestabilizar a estrutura da universidade. E, acima de tudo, defendemos a greve como instrumento de mobilização legítimo e eficiente. Nela negamos a passividade de estudante, saindo das salas de aula para aprender na prática como conquistar o que nos diz respeito.

O que queremos para a universidade?

Desde o seu surgimento a universidade é estruturada para afirmar a sociedade dividida entre classes. Deve estar no horizonte do movimento estudantil a superação dessa instituição que mantém e reproduz a lógica capitalista. Para isso, é necessário explicitar seu caráter excludente e combater as políticas de precarização do trabalho e do estudo.

Por ser uma instituição capitalista que responde apenas aos interesses da elite dominante, a universidade não têm e não terá função revolucionária. Não defendemos, portanto, pautas de reestruturação da universidade, como as que giram ao redor da estrutura de poder. A estrutura da universidade dentro do sistema capitalista só pode servir ao capital, independente do modo como escolhemos a reitoria ou a forma como são formulados os estatutos.

Analisando historicamente e de maneira ampla o papel da universidade, esta serve também à divisão social do trabalho e à segmentação da classe trabalhadora em mão-de-obra “qualificada” (o chamado trabalho “intelectual”) e mão-de-obra precarizada (chamado trabalho “braçal”). Divisão colocada pela classe dominante que almeja manter a estrutura social intacta, reservando os postos de trabalho “qualificados” à uma parcela da população, enquanto grande parte se encontra nos postos de trabalho precarizados. Essa forma de divisão do trabalho e segmentação da classe é inerente à função da universidade e é essencial para a manutenção do capitalismo.

Lutamos por cotas sociais e raciais, porque essa é uma pauta classista e que fere diretamente o projeto de universidade burguesa. Cor de pele e poder de consumo ainda são critérios, mesmo que indiretos, para o ingresso na universidade, o que se constata quando observamos quais lugares as pessoas negras assumem na universidade – na maioria das vezes, concentradas nos trabalhos mais precarizados e poucas em sala de aula. A perpetuação dessa condição, escancara como o capitalismo marca pela cor da pele a segmentação da classe.

Defendemos a permanência estudantil, através da ampliação de moradias e bolsas estudantis, pois as poucas pessoas pobres que ingressam na universidade enfrentam sérias dificuldades para se manterem ao longo de seus estudos. Vemos que é perpetuada a lógica de que trabalhar não é uma necessidade real e imediata de estudantes, o que dificulta em muito a permanência da juventude da classe trabalhadora. Desde já, e principalmente quando conquistarmos o sistema de cotas, será preciso ampliar e garantir políticas de permanência estudantil para que o acesso à universidade não seja fictício, com mais pessoas negras e pobres ingressando, mas não conseguindo concluir a graduação, deparado-se com mais um funil social.

Também lutamos contra qualquer medida de repressão à mobilização. Com o acirramento da luta, cada vez mais a Reitoria se utiliza de todo o aparato repressivo do estado para tentar esmagar o movimento. Cresce dentro da Universidade as violentas ofensivas da Polícia Militar que sempre esteve a serviço dos interesses do Estado e da burguesia, reprimindo a luta da classe trabalhadora e também a juventude, principalmente a juventude negra nas periferias. Na universidade a repressão também se manifesta com processos e expulsões contra aquelas que se organizam e lutam, demonstrando ainda mais que a “justiça” está do lado dos patrões e da burocracia universitária. A defesa de nossas/os lutadoras/es pautada na ação direta é um dever do Movimento Estudantil, essencial para sua continuidade e fortalecimento.

E para que seja possível organizar todas estas frentes de luta precisamos garantir a existência de espaços estudantis que não sejam controlados pela burocracia universitária e que fomentem a autogestão estudantil.

No movimento estudantil estas são as nossas defesas mais centrais para que, em aliança com as outras forças da classe trabalhadora, possamos lutar contra a universidade e a sociedade capitalista!

OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!
PELA IMPLEMENTAÇÃO DE COTAS SOCIAIS E RACIAIS!
EM DEFESA DA PERMANÊNCIA ESTUDANTIL!
CONTRA A REPRESSÃO!
DEFENDER OS ESPAÇOS ESTUDANTIS!

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