Nota de solidariedade ao companheiro Messias

“Perseguido eu já nasci, demorô!” – Racionais MC

Nós do Rizoma, uma tendência estudantil libertária e autônoma, viemos através desta nota expressar nossa solidariedade ao companheiro Messias, trabalhador bancário e militante sindical. Depois de mais de duas décadas de trabalho de segunda à sexta na Caixa Econômica Federal, Messias – referência sindical para toda a categoria bancária, e que nunca trocara esta e seu posto de trabalho por uma confortável, porém muitas vezes ambígua, cadeira de diretor sindical liberado – foi vítima de um processo administrativo extremamente questionável, que obviamente encontra raízes em sua militância, o qual o condena a demissão por insubordinação no final do mês de janeiro (tendo ele trinta dias para recorrer da decisão).

Frente a um contexto de escalada da violência estatal, de intensa criminalização dos movimentos sociais e das lutas, e que sem dúvidas não pode deixar de ser relacionado com o fracasso dos projetos políticos sociais democratas, mas também com as crises econômicas e políticas externas e internas ao território dominado pelo Estado brasileiro, entendemos que nossas principais armas são a solidariedade combinada com a ação direta. Assim teremos chance de resistir contra as perseguições, contra os insistentes ataques às organizações populares e seus militantes, e contra a precarização da vida e perda de direitos – no caso dos direitos trabalhistas, hoje corremos o risco de perder direitos históricos reunidos na CLT, os quais foram conquistados com muita greve, ação direta e organização há cerca de um século atrás.

Na Universidade de São Paulo passamos ainda agora por uma perseguição política semelhante que acarretou em mais de cinquenta processos administrativos contra estudantes e trabalhadores. Todavia, foi organizada uma campanha política e jurídica, durante a qual recebemos o apoio e solidariedade de diversos movimentos e organizações, e construímos atos e outras ações diretas, o resultado de todo esse processo de luta foi que conseguimos ao menos que não houvessem novas expulsões tampouco demissões – o que não significa que esta luta acabou, afinal, ainda existem estudantes e trabalhadores expulsos e demitidos por questões políticas, e mesmo esses processos não foram totalmente encerrados ainda. Agora no começo de fevereiro o Ministério Público entrou com uma denúncia contra xs 73 que foram presos durante o despejo na reitoria.

Nos colocamos a disposição para construir ombro a ombro uma campanha política em defesa do companheiro Messias, pois entendemos que a solidariedade não pode se limitar a palavras num papel.

Pelo arquivamento imediato do processo de demissão do companheiro Messias!
Pela readmissão de estudantes e trabalhadorxs expulsxs/demitidxs!
Pelo fim à perseguição política!

Rizoma, tendência libertária e autônoma
fevereiro de 2013

Mais de cem presos: episódio isolado segundo Rodas

retirado de: http://www.pco.org.br/conoticias/ler_materia.php?mat=39577

Em entrevista para a rádio USP, João Grandino Rodas se vangloria de os funcionários não fazerem greve por dois anos. Segundo ele, “a satisfação das pessoas dá para notar pelos funcionários e professores”.

Rodas processou toda a diretoria do Sindicato dos Trabalhados da USP e demitiu irregularmente 271 mostrando o vale tudo feito por ele na reitoria.

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Estudantes não serão expulsxs!

retirado de: http://processadosnausp.blogspot.com.br/2012/12/estudantes-nao-serao-expulsos.html

Tivemos um resultado parcial em relação aos processos ocasionados pela ocupação da reitoria e moradia retomada. Nenhum estudante ou funcionário vai ser expulso ou demitido da USP. No entanto, alguns serão suspensos, uma espécie de punição para “sujar” ilegitimamente a ficha de manifestantes, e provocar perseguições futuras caso necessário.
Informem-se e solidarizem-se,
A luta continua!
Pela reintegração dos estudantes expulsos e trabalhadores demitidos, de forma injusta e autoritária!

Comunicado da Reitoria [http://www.usp.br/imprensa/?p=27261]

Comunicado sobre trabalhos das Comissões Processantes

A Universidade de São Paulo comunica que foram finalizados os trabalhos das Comissões Processantes responsáveis pela condução dos Processos Administrativos relativos à ocupação do Bloco “G” da Superintendência de Assistência Social, em 2010, e da Reitoria, em 2011.
Dos referidos procedimentos resultaram algumas absolvições, aplicadas nos casos da ocupação da Reitoria quando a instrução processual comprovou que o aluno estava fora do prédio, muito embora seu nome constasse de documentos relativos à desocupação. Também houve absolvição decorrente da desocupação do Bloco “G”.
As penalidades disciplinares sugeridas e aplicadas foram as seguintes:
  1. Repreensão por escrito: nos casos da ocupação da Reitoria e do Bloco “G” quando as razões apresentadas pelo aluno para sua indevida presença no prédio público foram consideradas atenuantes.
  2. Suspensão por cinco dias: para os alunos que estavam indevidamente no prédio da Reitoria, quando da reintegração de posse, sem indicativos de que tenham adentrado o prédio ou nele permanecido anteriormente.
  3. Suspensão por quinze dias: nos casos em que os processados foram encontrados no interior do prédio da Reitoria ou do Bloco “G”, quando da reintegração de posse, com indicativos de que estiveram na localidade em outras oportunidades, como ocupantes ou colaboradores da ocupação; ou quando se deveria esperar do envolvido maior zelo no trato da coisa pública.

Governador Geraldo Alckmin recebe nota em defesa dos processados da USP

retirado de: http://www.dceusp.org.br/2012/12/governador-geraldo-alckmin-recebe-nota-em-defesa-dos-processados-da-usp/

No dia de ontem, 13 de dezembro de 2012, as entidades representativas, DCE-Livre da USP, Associação de Docentes da USP (Adusp), Sindicato de Trabalhadores da USP (SINTUSP) e Associação dos Pós-Graduandos da Capital (APG) entregaram a Nota Em Defesa dos Processados da USP para o governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e para o reitor da USP, Prof. Dr. João Grandino Rodas.

Articulada pelas entidades por via do Fórum Aberto pela Democratização da USP, a nota questiona a reitoria sobre os processos administrativos sofridos por estudantes e funcionários e que resultariam em eliminação dos processados da universidade. Questionamos a justificativa para esses processos (os quais entendemos enquanto perseguição política), a forma como eles são julgados (por professores indicados pela própria reitoria, a mesma que acusa) e também sua base legal, qual seja o Regime Disciplinar de 1972, que data da época da ditadura e é um dispositivo antidemocrático, não sendo acolhido pela atual Constituição Federal.

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Nossa tarefa atual: ESPALHAR GASOLINA!

NOSSA TAREFA em PDF

O movimento está em brasa.

“Passa mês, passa processo, passa polícia, passa congresso, mas a brasa não acende de novo. O tema ‘democracia abstrata’ (o teatro da voz do povo) parece que foi só uma brisa. Um flash mob. Um sonho ruim. E enquanto o Leviatã pisa pra brasa não aquecer, renascem – dos muros, das salas – mais sopros pra nos acender.
Não estamos sozinhos.”

Atualmente sopra o Núcleo de Consciência Negra, que depois de sofrer vários ataques e de ter equipamentos roubados do cursinho popular, lança um projeto de criação da Casa de Cultura Negra da USP, nos moldes da Casa de Cultura Japonesa, com autonomia em relação à reitoria e com a promessa de continuar o legado de luta.

Sopram também as comunidades São Remo, Carmine Lourenço e Morro da USP, ameaçadas por ocuparem terrenos no quintal do reitor e lutando contra a higienização promovida pelo Estado Democrático de Direita. As duas primeiras, situadas ao lado do campus Butantã, lutam pra que a dita “reurbanização” prometida pela reitoria não vire um “bota-abaixo”. Já a última, localizada no Sacomã, tem em seu horizonte uma “reintegração de posse” (posse de quem?), da qual podemos esperar violência, abusos, autoritarismo e quase tudo – menos o cumprimento da promessa de “melhores condições” para os moradores. Isso tudo sem contar a ingerência da PM nessas comunidades, que executa por meio da força o que vermes decidem em seus gabinetes.

E por falar em brasa, jamais nos esqueceríamos do Osama Bin Raggae X, aterrorizando a USP todo ano junto de várixs lutadorxs das mais diversas quebradas dessa babilônia paulistana. Cole na Hist/Geo de 10 a 14 de setembro pros debates, oficinas e a festa!

Os processos contra trabalhadores/as e estudantes da USP poderiam muito bem ser mais um sopro em meio aos outros, no entanto, a política do Movimento Estudantil “oficial” tem sido: “ninguém sabe, ninguém vê”. Cavalo manso em sete de setembro: andando mal, empinando e sendo aplaudido, enquanto xs processadxs tentam carregar o barco que devia ser de todxs…

Até quando o Movimento Estudantil só vai fazer as coisas quando a água bater na bunda?Até quando se deixará enganar por aquelxs que, sentadxs, “lutam” por “democracia”? Não será um candidato a Reitor, um Congresso ou um voto que fará Rodas e companhia limitada (Burocracia universitária, Governado do Estado e PM) pararem.

Somente xs estudantes, trabalhadorxs e moradorxs das comunidades, através da auto-organização, da solidariedade e da ação direta, poderão mudar o que está acontecendo e o que está por vir.

Todo apoio ao Núcleo de Consciência Negra!
Todo apoio à São Remo!
Todo apoio a Carmine Lourenço e ao Morro da USP!
Todo apoio aos/às processadxs!
Todo apoio à um Movimento Estudantil que intenta se reacender!
Vamos pro Osama!
Seguimos em luta!

Saudações libertárias,
Rizoma – Tendência Libertária Autônoma