[XII Congresso de Estudantes da USP] Programa das chapas para delegados – História e Letras

Compartilhamos com vocês o panfleto do programa da chapa do Rizoma para delegados nos cursos de História e Letras da USP.
Os delegados são eleitos pelos estudantes em seus cursos para que possam intervir e votar no XII Congresso de Estudantes da USP que é o espaço para decisões estruturais do Movimento Estudantil da USP.

Leia o nosso programa e participe das eleições de delegados!
Estamos com chapas também em outros cursos, informe-se e participe dos debates de chapas.

Panfleto em pdf: chapa-congresso-hist-letras

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CHAPA: Romper e Avançar! Erguer um movimento estudantil combativo!

O XII Congresso da USP poderá ser um espaço importante para organizar os estudantes na luta por outra sociedade! O país atravessa hoje uma crise econômica própria do capitalismo que tem como resultado milhares de trabalhadores sendo demitidos, tendo seus salários cortados e direitos trabalhistas atacados. Nós estudantes que somos filhos de trabalhadores e que fazemos dupla jornada conciliando trabalho e estudo, também sofremos com a crise econômica. Nas universidades: cortes das bolsas de permanência estudantil, fechamento do acesso e militarização. Também sofreremos, se já não estamos, com a precarização do trabalho, com o crescimento da terceirização. Quando nos organizamos para nos defender destes ataques, somos reprimidos violentamente pelo Estado. Quem estava nos atos de junho de 2013, e nos outros que vieram antes e depois da luta contra o aumento, já sentiu na pele a repressão policial, mas também já se sentiu vivo por conseguir na prática aquilo que nos dizem ser impossível!

O movimento estudantil tem um papel histórico, mas atualmente está aquém de suas possibilidades. Em grande parte porque perdeu sua combatividade e foi se adaptando às políticas reformistas. O Congresso de estudantes da USP poderá cumprir um importante papel para reerguer o movimento estudantil, mas para isso precisa ser construído por estudantes que levem à frente um programa combativo e revolucionário!

Precisamos perder o medo de acreditar que esta sociedade capitalista desumana e cruel pode ser derrotada! Precisamos recuperar a força do nosso movimento, romper com as direções governistas e pelegas, que servem de âncora para o movimento, e avançar contra os capitalistas e estatistas, organizando os estudantes através da democracia direta, desde as bases e aliado com os trabalhadores para sermos protagonistas de ações diretas como greves, piquetes e atos de rua!

Aliança com os trabalhadores
Nós, estudantes da classe trabalhadora, precisamos nos identificar com todos os trabalhadores em luta. Nós, que sentimos na pele a dificuldade que foi para conseguir entrar na universidade, que sabemos os sacrifícios para fechar as contas no final do mês, que a todo semestre reavaliamos se vamos conseguir continuar a graduação, pois muitas vezes falta dinheiro até para o transporte público, sabemos que saindo da universidade não há um mar de rosas, mas sim um cenário de desemprego para a juventude.
Por isso, a luta dos trabalhadores hoje é a nossa luta de amanhã! A greve de professores da rede estadual, é uma greve nossa também! As greves de metalúrgicos, de terceirizadas, de servidores federais, todas estas são lutas nossas. Nós ocuparemos estes cargos no futuro e a derrota a um inimigo comum é uma vitória para nós!
Por isso, defendemos que este Congresso tenha o papel de colocar o Movimento Estudantil no cenário nacional de lutas, para barrarmos ao lado dos trabalhadores as medidas provisórias do governo do PT, o ajuste fiscal e o projeto de terceirização. Barrar as demissões, os arrochos salariais e os ataques a todos os estudantes, que nas federais já estão em greve há meses!

Organização do Movimento Estudantil
O movimento estudantil como um todo também precisa formar um forte bloco. Nós, das estaduais paulistas, aliados com estudantes das federais, universidades privadas e secundaristas, poderemos reivindicar as pautas que atendam às nossas necessidades. A universidade não foi feita para estudantes trabalhadores, ela foi pensada para a elite e a todo momento nos fazem lembrar disso, como com as catracas que impedem a entrada de nossos vizinhos e familiares. Não precisamos reformar a estrutura da universidade, mas sim nos defendermos daqueles que nos atacam e nos querem da porta para fora!

Precisamos de integração entre os estudantes, e de unidade no movimento estudantil. Integrar os coletivos de opressão ao conjunto do movimento estudantil, para cada vez mais nos reconhecermos no outro que também é explorado e lado a lado organizarmos nossas defesas.

Garantir a autonomia de nossos centros acadêmicos e dos espaços estudantis, com nosso auto-financiamento e independência frente ao Estado e à reitoria, é fundamental. Defender a realização das festas no campus e nossos espaços de integração!

Um movimento estudantil que seja organizado desde as bases, de baixo para cima, com a sua força nos fóruns de democracia direta, como as assembleias e que em momentos de mobilização se organize através dos comandos de greve é o que nós, da chapa “Romper e Avançar”, defendemos para a organização estudantil.

Acesso e Permanência Estudantil
Exigir cotas raciais e sociais com a implementação do projeto de cotas da Frente Pró-Cotas já aprovado pelo conjunto do movimento estudantil!

Mesmo com a ampliação do acesso, a conclusão do curso ainda encontra e encontrará diversos obstáculos. Precisamos erguer o movimento para que defenda um conjunto de pautas em torno da permanência estudantil, pois é este eixo, aliado com as reivindicações de acesso que colocam em xeque a pergunta: “afinal, a universidade foi feita para quem?”

Reivindicar o aumento no número de bolsas de permanência, como auxílio moradia, e reajuste nos valores: o preço de tudo não para de subir! É tarifa de ônibus, contas de luz, água, alimentação, e tantas outras e nossas bolsas há anos não tem seus valores corrigidos ou então têm reajustes insuficientes frente à especulação imobiliária e à inflação! Exigir o reajuste nos valores de todas as bolsas, sejam elas de permanência, extensão, estágio ou trabalho, de acordo com o mesmo reajuste conquistado pelos trabalhadores da USP! Unificar a luta de estudantes e trabalhadores da USP contra o arrocho!

Pela criação de bolsas auxílio em cursos que precisem de materiais específicos. Nas áreas de artes e saúde, por exemplo, os estudantes pobres não conseguem concluir o curso ou assumem dívidas enormes para poderem comprar todos os equipamentos exigidos pela universidade.

Creche também é permanência estudantil! Pela reabertura imediata das vagas nas creches e sua ampliação! Não aceitar o fechamento das vagas, pois essa é mais uma forma de dificultar a permanência das mulheres na universidade!

Devolução imediata dos blocos K e L do CRUSP, ampliação da moradia no Butantã e construção de moradias para estudantes da EACH e dos campi do interior!

Bandejão e circular: como concluir a graduação trabalhando 8 horas por dia, chegando em cima da hora da aula e não podendo bandejar porque a fila é enorme? Ou porque não dava para entrar no circular de tão lotado que estava? Abertura imediata de contratações de funcionários para todas as áreas que precisam, inclusive para o bandejão! Reabertura do bandejão da prefeitura! Aumento no número de circulares!

Não à repressão! E os debates em torno da segurança
Devemos abraçar o conjunto de resoluções aprovado pelo Encontro de Mulheres da USP e apresentado pelo manifesto do 1º Ato de Mulheres por Segurança no Campus, que aponta medidas efetivas para uma defesa dos estudantes e trabalhadores. Desde a entrada da PM no campus os casos de estupro, assalto e sequestro só tem aumentado e a liberdade de mobilização política e manifestação só tem diminuído! Se dentro do campus a polícia reprime trabalhadores e estudantes, é racista e machista, fora dele, é também assassina. Exigir o FORA PM e FORA KOBAN!

A repressão policial anda lado a lado com a repressão da reitoria: processos a estudantes e trabalhadores por reivindicarem melhores condições de vida. Barrar os processos contra os lutadores!

Estas são algumas das propostas que os delegados da chapa “Romper e Avançar” levarão para o XII Congresso da USP, engajados em reacender a chama do movimento estudantil!

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