GTs de autogestão e os centros acadêmicos

| Disputa de eleições para centros acadêmicos e o fortalecimento das entidades de base |

A proposta desse texto é tornar aberta a nossa aposta tática para o fortalecimento das entidades de base no próximo período. É necessário apresentarmos nosso balanço em relação à tática que vínhamos adotando com a construção dos GT’s de autogestão, e avaliar como a mudança conjuntural nos leva a buscar novos caminhos. Sabemos onde queremos chegar e não podemos recuar das autocríticas que são necessárias quando nossas táticas deixam de apontar para este horizonte.

| A aposta na autogestão |

Quando nos engajamos na construção do 1º Congresso do curso de Geografia da USP com a tese pela autogestão, estávamos inseridos em um contexto no qual a direção do movimento estudantil na USP – PSOL e PSTU – havia esvaziado e enfraquecido a importante greve iniciada em 2011. O ano seguinte foi de completo marasmo no movimento e os centros acadêmicos estiveram completamente engessados, abandonando a responsabilidade que uma entidade de base tem para reorganizar o movimento. Naquele momento nós apostávamos que a implementação da autogestão no curso de geografia não só era possível como necessária, pois era um curso onde estávamos inseridos e onde havia terreno fértil para propostas com caráter revolucionário. Nossa aposta era que a autogestão conseguiria aproximar os estudantes combativos e estes se engajariam para a construção de um centro acadêmico ativamente militante, e que por se pautar na democracia direta conseguiria dar espaço às disputas necessárias entre as organizações fazendo com que o movimento desse um salto organizativo. Há algum tempo já não temos nenhum militante na autogestão do CEGE. Temos o nosso próprio balanço sobre estes 2 anos de autogestão, mas acreditamos que este debate deve ser travado quando e no espaço do congresso de estudantes da geografia.

Ao final de 2013 e após a greve de 2014 nós começamos a impulsionar grupos de trabalho sobre autogestão em mais dois locais: no curso de história e na ECA. Seguíamos vendo neles uma tentativa de desburocratização das entidades, visando o fortalecimento do movimento estudantil no embate contra a Reitoria e o Estado. Os GTs não conseguiram se fortalecer apesar de terem aproximado militantes importantes e engajados, e acabaram estagnando-se influindo em pouco ou quase nada para fortalecer de fato a base dos cursos. Em outra conjuntura poderíamos até apostar no balanço sobre as autogestões e a tentativa de fortalecer novamente este formato nos mais variados cursos, mas o cenário mudou e outros desafios estão colocados.

| Mudança de conjuntura e mudança de tática |

Atualmente, as gestões de importantes centros acadêmicos estão dominadas pelo governismo, que há tempos vem se mostrando um inimigo da classe trabalhadora, ou por gestões de outras organizações, há anos também responsáveis pela atrofia das mobilizações estudantis. As direções governistas são responsáveis por utilizar-se do movimento estudantil apenas quando convém defender o projeto petista, não conseguindo mais esconder as traições a todos os trabalhadores e estudantes. Enquanto isso, as outras tradicionais organizações do movimento estudantil, que podem até romper com o petismo, mas são responsáveis por mergulhar o movimento em um imenso refluxo, servindo de âncora para as importantes mobilizações que ensaiam acontecer.

O cenário mudou, o acirramento da luta de classes está cada vez mais gritante com o aumento da inflação, os cortes orçamentários, demissões e arrochos nos salários. Nas universidades como um todo a situação é alarmante e seria irresponsabilidade nossa em um contexto como este continuar apostando nos debates acerca de formato de gestão. As entidades de base, independente do formato de gestão, precisam colocar urgentemente para o conjunto do movimento um plano de lutas que consiga erguer a força do movimento estudantil organizando as trincheiras conjuntas com os trabalhadores para nos defendermos dos ataques inimigos.

No presente momento, crítico quanto à necessidade de mobilização e luta, não disputar nossas entidades de base de toda maneira possível em todos os lugares, resultará na entrega da direção de todo o movimento às mãos inimigas. É por essa necessidade e pela urgência que nos foi colocada pela conjuntura que optamos por concorrer às eleições de chapas, visando garantir que as entidades de base dos estudantes voltem a ser combativas. Para construir entidades que não depositem a confiança nas ferramentas da burocracia, que não se aventurem a contar com a sorte de congregações e conselhos universitários; por entidades que assumam um programa classista em defesa de estudantes e trabalhadores e não mais sirvam de braço para a defesa de governos e patrões.

Há aqueles que poderão nos criticar por nos inserirmos nas disputas eleitorais. Certamente virão munidos do argumento de que estamos sendo contraditórios, dado nosso caráter libertário. Esta crítica carrega em si um erro fundamental: a confusão entre as ferramentas próprias da classe trabalhadora e dos estudantes, e a ferramenta do Estado. Não se trata da disputa do Estado e de seus cargos na burocracia, mas da disputa democrática de nossas próprias ferramentas. Das entidades nascidas no seio do movimento estudantil em luta. Confundir o aparato do Estado com as entidades de base da classe trabalhadora é um erro que não pode ser cometido. Nós nunca nos furtamos a compor gestões de centros acadêmicos eleitas. Hoje e no passado, estivemos presentes nas gestões do CAF, GFAU, CAMAT, DASI e outros na USP, e na UNESP na gestão do DAMB. Assim, como em qualquer fórum de democracia direta, nós apresentamos nosso programa e nossas propostas e cabe ao conjunto do movimento estudantil escolher adotá-las ou não, e assim será nossa atuação na disputa pela direção dos centros acadêmicos: apresentaremos nosso programa e nossas propostas, que serão, ou não, abraçadas pelos estudantes.

Seguiremos, como sempre seguimos, guiados pela democracia direta enquanto método soberano de decisão para os rumos do movimento, tanto através de assembleias, como pela dissolução da gestão em Comando de Greve durante picos de mobilização. Para os que já conhecem nosso programa e nosso comprometimento militante saberão que este passo está alinhado com a tentativa de construir um movimento estudantil combativo e com recorte de classe, que ouse lutar e ouse vencer. Não toleraremos a entrega de nossas entidades às mãos de burocratas. Nos engajaremos para tomar dessas mãos cada centro acadêmico e impulsionar em cada curso a luta necessária para derrotar os ataques que se armam contra nós. E estarão conosco aquelas e aqueles que querem lutar.

Saudações,
Rizoma

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Para saber mais sobre a análise de conjuntura que fazemos, leia nosso texto de início de semestre: https://www.facebook.com/rizomatendenciaestudantil/posts/1635078056747937

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